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Mito do Graal

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Elektra
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Mito do Graal

Mensagem  Elektra em Sex Nov 26, 2010 5:23 pm

O MITO DO GRAAL



De todos os mitos celtas, o Mito do Graal é o mais fecundo quanto suas proporções, suas variantes e suas interpretações. Em sua origem,o Graal e a lenda que o rodeia procede de um tema celta de "vingança por sangue". Não obstante, pretender que a Busca do Graal é só uma narração de vingança, há autores que atribuem essa "busca" a uma espécie de iniciação à realeza e à soberania. Já outros, a vêem na regeneração do País do Graal por um Cavaleiro eleito, como uma espécie de ritual de fecundidade. Enquanto que Jessie Weston, em uma série de obras discutíveis, mas apaixonantes, emitiu a hipótese de que os elementos do Cortejo do Graal tinham todos um valor simbólico e ritual, e que, a lança que sangra representa o princípio masculino, o Graal, ou seja, a taça, representa o princípio feminino. Seria pois, a união dos princípios que devolveria ao País do Graal, devastado e estéril, sua riqueza e fertilidade de antigamente.

O simbolismo sexual do Graal é indiscutível: é uma taça e, como tal, é a imagem do seio que despensa alimento. Por analogia, é um continente, e seu conteúdo, na versão cristianizada, é o sangue de Jesus. Por isso, é fácil deduzir que o Graal, mais do que a imagem do seio, representa o útero da Deusa Mãe, que dá vida a todas as criaturas do Mundo, a condição de ser fecundada. Sabemos que o País do Graal é estéril, está devastado e que esperam o cavaleiro eleito que deve devolver a fertilidade perdida. Como o Rei Pescador tem um ferimento que afetou suas partes viris, portanto, a taça do Graal como "útero materno", só poderá ser fecundado por um homem eleito. Por analogia, Jesus seria esse eleito, mas qual foi o útero que ele fecundou?
O Graal é pois, incontestávelmente um símbolo "Feminino" e a "Busca" que o cavaleiro empreende para encontrar o Graal, é uma busca de feminilidade.

Uma das narrações mais antigas do País de Gales, que representa a tradição britânica antes da separação dos bretões, nos apresenta uma história da Cabeça Cortada que é bem conhecida, é a história de Bran o Bendito, personagem mitológico considerado como um dos numerosos aspectos do Rei Pescador.

"A expedição a Irlanda organizada por Bran e os bretões, a fim de vingar afronta a sua irmã Branwen e recuperar o caldeirão mágico que ressuscita os mortos, acaba em um desastre. Bran, ferido no pé por uma lança envenenada, pede aos sete sobreviventes bretões que cortem sua cabeça e a levem consigo. Assim o fazem. Os sete sobreviventes em companhia de Branwen, atracam em Hardlech e se instalam aí. Começaram a prover-se de alimentos e bebidas em abundância e se puseram a comer e beber. Três pássaros passaram a cantar um canto que deixava sem valor tudo que tinham ouvido antes. Essa cena durou sete anos e depois partiram até Gwales, em Penvro. Ali se instalaram em uma grande sala com a cabeça de Bran exposta. Pelos muitos sofrimentos que houvessem visto, por muitos que houvessem padecido pessoalmente, não recordavam nada, nem nenhuma outra pena do mundo.

Passaram oitenta anos de tal forma que não recordavam um tempo melhor, nem mais agradável em toda sua vida. Não estavam cansados; ninguém deles notava que o outro houvesse envelhecido em todo o tempo desde que chegaram. A companhia da cabeça não resultava mais penosa que quando Bendigeit Vran estava vivo. Depois desses oitenta anos, abrem uma porta, em seguida recuperam a memória, e também o cansaço e o sofrimento, e vão cumprir o último desejo de Bran: enterraram sua cabeça na Colina Branca, em Londres."
(Joseph Loth, Mabinogion, I, pp. 142-149)

Essa história tem muitas analogias com o Cortejo do Graal. Para começar, aparece o caldeirão que ressuscita os mortos. Não conseguindo recuperá-lo, Bran entrega a sua cabeça a seus companheiros, como uma espécie de substituto do caldeirão. Bran é ferido no pé por uma lança envenenada e como o Rei Pescador, se converte em impotente para governar, pois é um Rei Ferido. Enquanto a vingança, é clara: a expedição se havia organizado para vingar a afronta sofrida por Branwen.

Quando os sobreviventes, em companhia de Branwen, expõe a cabeça no local onde se encontram, perdem a noção do tempo, não envelhecem.
A cabeça desempenha a mesma função do Graal: procura alimento e bebida e impede de envelhecer. Assim alcançam um paraíso comparável a Terra das Fadas, tantas vezes descritas na literatura irlandesa, onde não existe a morte, o sofrimento, nem a enfermidade.

A cabeça, em resumo, lhes restitui o paraíso que haviam perdido ao nascer, o que demonstra claramente uma função materna, feminina, e dita função se vê reforçada pela presença dos pássaros de Rhianonn, e também com a presença de Branwen, cujo nome significa "Seio Branco", e que muito bem poderia ser a portadora da cabeça e portanto, a portadora do Graal.



Quando o rei Arthur funda a Távola Redonda, Merlim, o Encantador, lhe dá o seguinte conselho:

-"A direita de meu senhor o rei, sempre haverá um assento vazio em memória de Nosso Senhor Jesus Cristo, nada se poderá colocar ali, para não correr o perigo de ter a mesma sorte de Moisés, que foi engulido pela terra, exceto o melhor cavaleiro do mundo, que conquistará o Santo Graal e conhecerá seu sentido e verdade".

Se trata, pois, do Assento Perigoso, sobre o qual só deve sentar-se o Eleito. Quando Percival se sentou nele, imediatamente a pedra, debaixo do assento se dividiu, e gritou num tom de angústia que a todos pareceu que o mundo ia precipitar-se num abismo.

Percival era indigno de sentar no assento e ao sentar-se nele, causou a enfermidade do Rei Pescador. E, o Rei Pescador só podia ser curado por aquele que levasse a cabo as aventuras do Graal: então a pedra voltaria a soldar-se. O caráter de Percival era demasiadamente pagão para ser o Herói do Graal. Então se prepara a entrada de Galahad o Puro, de tradições celtas. Assim, na versão completamente cristianizada do mito senta-se Galahad (filho de Elaine e Lancelot) no Assento Perigoso, sem que nada se suceda.



O GRAAL CRISTÃO


No período cristão, a cabeça cortada, os caldeirões e as pedras filosofais se transformam no cálice ou prato que Jesus Cristo utilizou na última ceia para instituir o sacramento da eucaristia. Embora as aplicações anteriores não se percam completamente, agora estamos diante de um posicionamento paternalista, que irá sepultar todas as qualidades femininas do Graal e sua associação com a Deusa, ou seja, sua atenção passará do terreno material para o espiritual.

O Graal passa para as mãos masculinas de José de Arimatéia, não é mais carregado por sua portadora original. Arimatéia é um homem rico que se encarregou do corpo de Jesus depois da crucificação e encarregado de o sepultar. Num cálice recolheu algumas gotas do sangue sagrado.
Como o Santo Graal, possui propriedades milagrosas e confere a seus proprietários um vínculo especial com Deus.

Foi construída uma mesa para depositá-lo, em memória da mesa da última ceia. Os parentes e amigos de José de Arimatéia o transportaram à Britânia, aos vales de Avalon, que poderiam estar localizados em pleno coração de Sommerset, a futura localidade de Glastonbury.

A lenda assim, está claramente entroncada com as origens da abadia de Glastonbury, embora suas fontes e inter-relações permaneçam obscuras. Passou depois a diversos protetores do Graal, descendentes de José de Arimatéia, que viveu em um misterioso castelo chamado Corbenic.

O Graal, embora oculto, conferiu à Britânia um lugar privilegiado na cristandade, e serviria de veículo de uma visão especial ou revelação à qual teria acesso o buscador que a merecesse.
Nos primeiros tempos do rei Arthur, o encarregado da custódia do Graal era Pelles, que em dado momento decide que chegou a hora para nascer um novo merecedor do Graal. Deveria ser um cavaleiro perfeito da estirpe de José, ou como o próprio Pelles.

Pelles tinha uma filha, Elaine e quando Lancelot chega a Corbenic, é o próprio Pelles, que entorpecendo-o com uma poção mágica, o faz acreditar que tem um encontro amoroso com Guinevere e não com sua filha. Assim, Elaine concebe um filho, que se chamará Galahad e será o cavaleiro mais perfeito que possa-se imaginar. É ele que ocupará o Assento Perigoso na Távola Redonda.

O Graal tinha passado da Britânia a um país distante, Sarras. Galahad, se dirige para lá, acompanhado por Percival e de Bors, um primo de Lancelot. É em Sarras onde alcança a visão suprema...e morre. Nenhum dos outros conseguiu. O final da procura está repleto de dor e, quando se alivia a dor porque já passou tudo, Camelot já não voltará a ser o que foi.

A primeira referência literária ao Graal é "O Conto do Graal", do francês Chrétien de Troyes, em 1190. Todo o mito - e uma série interminável de canções, livros e filmes - sobre o Rei e os Cavaleiros
da Távola Redonda tiveram seu início ali.

Tratava-se de um poema inacabado de 9 mil versos que relata a busca do Graal, da qual Arthur nunca participou diretamente, e que acaba suspensa. Um mito por si só, "O Conto do Graal" é uma obra de ficção baseada em personagens e histórias reais que serve para fortalecer o espírito nacionalista do Reino Unido,unindo a figura de um governante invencível a um símbolo cristão. Mas por que o cálice teria sido levado para a Inglaterra? Do ponto de vista literário, já foi explicado.

Porém há outras histórias muito mais interessantes - e ousadas - para explicar isto. Diz-se que durante sua permanência na Cornualha , Jesus havia recebido em dádiva um cálice de um druida convertido ao Cristianismo (isto entendido como "o que era pregado por Cristo"), e por aquele objeto Jesus tinha um carinho especial. Após a crucificação, José de Arimatéia quis levá-lo santificado pelo sangue de Cristo ao seu antigo dono, o druida, que era Merlin, traço de união entre a religião celta e a cristã.

É na obra de Robert de Boron que o mito retrocede no tempo até chegar a Cristo e à Última Ceia. José de Arimatéia era um judeu muito rico, membro do supremo tribunal hebreu - o Sinédrio. É ele que,como visto nos Evangelhos,pede a Pilatos o corpo de Jesus para ser colocado em um sepulcro em suas terras.
Boron conta que certa noite José é ferido na coxa por uma lança (sempre presente as referências às lanças e espadas, símbolos do fogo tanto nas histórias de Jesus como de Arthur).

Noutra versão a ferida é nos genitais e a razão seria a quebra do voto de castidade. Este facto está totalmente relacionado à traição de Lancelot que seduz Guinevere, a esposa de Arthur.
Após a batalha entre os dois, a espada de Arthur, Caliburnius, é quebrada - pois é usada para fins mesquinhos - e jogada em um lago onde é recolhida pela Dama do Lago antes que afunde.
Depois é lhe oferecida outra espada, esta sim, Excalibur. Somente uma única vez Boron chama a taça de Graal.Ele, deduz que o artefacto já tinha uma história e um nome antes de ser usado por Jesus: "eu não ouso contar, nem referir, nem poderia fazê-lo (...) as coisas ditas e feitas pelos grandes sábios. Naquele tempo foram escritas as razões secretas pelas quais o Graal foi designado por este nome".

José de Arimatéia foi, portanto, o primeiro custódio do Graal. O segundo teria sido o seu genro Bron. Algumas seitas sustentam que o Ciclo do Graal não estará fechado enquanto não aparecer o terceiro custódio. Esta resposta parece vir com "A Demanda do Graal", de autor desconhecido, que coloca Galahad como único entre os cavaleiros merecedor de se tornar guardião do Graal.

Transportado para a história do Rei Arthur, onde nasce o mito da taça sagrada, encontramos o rei agonizante vendo o declínio do seu reino. Em uma visão, Arthur acredita que só o Graal pode curá-lo e tirar a Bretanha das trevas. Manda então seus cavaleiros em busca do cálice, fato que geraria todas as histórias em torno da Busca do Graal.

É interessante notar que a água é uma constante na história de Arthur. É na água que a vida começa, tanto a física como a espiritual. Arthur teria sido concebido ao som das marés, em Tintagel, que fica sob o castelo do Duque da Cornualha; tirou a Bretanha das mãos bárbaras em doze batalhas, cinco das quais às margens de um rio; entregou sua espada Excalibur ao espírito das águas e, ao final de sua saga, foi carregado pelas águas para nunca mais morrer. Certo de que sua hora havia chegado, Arthur pede a Bedivere que o leve à praia, onde três fadas (elemento ar) o aguardam em uma barca.

"Consola-te e faz quanto possas porque em mim já não existe confiança para confiar. Devo ir ao vale de Avalon para curar a minha grave ferida", diz o rei.




AVALON


Avalon é a mítica ilha das macieiras onde vivem os heróis e deuses celtas e onde teria sido forjada a primeira espada de Arthur - Caliburnius. Na Cornualha, o nome Avalon - que em galês refere-se à maçã - é relacionado com a festa das maçãs, celebrada durante o equinócio de outono. Acreditam alguns que Avalon é Glastonbury, onde tanto Arthur quanto Guinevere teriam sido enterrados. A abadia de Glastonbury, onde repousaria o casal, é tida também como o lugar de conservação do Graal.


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