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Pegando O Bonde Andando De True Blood...

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Inominável Ser
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Pegando O Bonde Andando De True Blood...

Mensagem  Inominável Ser em Qua Set 07, 2011 2:17 am



Inomináveis Saudações a todos vós, cadáveres leitores.

Antes de começar, quero revelar que não sei, ainda, quase nada da trama anterior à quarta temporada de True Blood, temporada na qual começo a acompanhar, através da HBO, aqui no Brasil. Portanto, as opiniões pessoais a seguir vão englobar no geral a essência da série nos quatro episódios que, até então, já assisti (o 6º, o 7º, o 8º e o 9º), opiniões de um modo livre a partir do que observei nos mesmos. Foram excelentes episódios, com uma qualidade técnica bem acima do que se vê em termos de televisão em se tratando do Gênero em questão. Roteiros bem trabalhados, direção bem segura, interpretações bem firmes, daquelas interpretações sem exageros, naturais, desenvolvidos com uma plena confiança na produção como um todo. A mão do diretor é igualmente confiante e leve até mesmo nos momentos mais pesados, revelando um profissional de alto gabarito que sabe bem trabalhar os conceitos, atos e fatos que tem dentro do roteiro que lhe foi entregue. Os resultados foram três episódios delirantemente pulsantes, vivos, senhores de uma energia que nos hipnotiza, encarregando-se de nos mostrar que ainda há vida inteligente na televisão mundial e no Terror pós-Crepúsculo, Vampire Diaries e outros lixos mais feitos para retardados mentais do que para os verdadeiros fãs de Vampiros, Lycans, Transmorfos, Bruxas e outros Seres Noturnos.

True Blood é, ao mesmo, um tratado completo de Sociologia, Filosofia e Psiquiatria combinado a referências diretas ao moralismo torpe de nossa sociedade mundial. Sociologicamente, englobando no mesmo território preconceituosos e não-preconceituosos no sul racista dos Estados Unidos da América; filosoficamente, acertando nas abordagens temáticas acerca do tipo de atitude que temos que ter para com o que é diferente, anormal e, muitas das vezes, bizarro; e, para todo e qualquer psiquiatria, é um prato cheio para a interessante observação das maiores fobias, neuroses e traumas da nossa civilização contemporânea. Anuncia muita coisa, denuncia muitas outras coisas e vela outras que, a meu ver, são facilmente captadas por aqueles que buscam diversas outras abordagens nas entrelinhas de todas as mais fascinantes e densas tramas. É um protesto bem claro e direto contra todo fundamentalismo religioso, político, científico, filosófico e moralizador, estes venenos próprios soberanamente propensos a agredir aqueles que pensam por si mesmos, os não-seguidores do "politicamente correto".

A abertura já é um achado, uma provocação misturando imagens de fundamentalistas religiosos, membros da famigerada Klu Klux Klan, bêbados, prostitutas, strippers e animais ditos como "predadores". Na verdade, já em sua abertura, True Blood nos faz questiona acerca de quem é o verdadeiro predador dentro do nosso mundo inteiro; não são os Vampiros, os Lycans, os Transmorfos, as Bruxas e os outros Seres Humanos ou qualquer criatura diferente que possa surgir no seriado. O Verdadeiro Predador na face da Terra é a nossa desconfiança em relação ao que é diferente do que é pregado como o normal, o aceitável, o bom e limpo; tudo que foge a estes termos impostos pelos que comandam a anarquia geral que é o mundo é sujo, mau, inaceitável e anormal. É muito diferente do que é pregado pelo Silas Malafaia, Jair Bolsonaro e outros dos maiores preconceituosos do Brasil e do mundo? É uma realidade alternativa, bem distante das nossas vidas tão cheias de conflitos, ismos, separações e cismas? A presença de criaturas ficcionais clássicas do Terror não retira a autenticidade realística de todo o conteúdo do seriado, vem apenas a acrescentar mais reflexões acerca do que ocorre neste nosso mundo tão recheado de erros grosseiros acerca dos comportamentos individuais, os quais são da responsabilidade de quem segue-os e, não, uma preocupação de toda uma sociedade.

A partir desta idéia de utilizar a ficção para discutir acerca do recrudescimeto mundial dos preconceitos e dos fundamentalismos, de todos os tipos, pelo mundo, parece-me que a trama segue uma linha de sarcástica e séria, ao mesmo tempo, aproximação nossa de assuntos dos quais muitas das vezes escapamos por sermos covardes acomodados que tendemos a aceitar as coisas como elas são nos dias atuais. Notei uma utilização bastante coerente de metáforas e simbolismos que caracterizam as temáticas tratadas nas formas de tabus que são tratados na maior das normalidades possíveis dentro das infindas possibilidades proporcionadas pelo roteiro em si mesmo. Totalmente esquecendo o que se convencionou denominar de "politicamente correto", a atitude sexual dos personagens fala de uma verdade que também procuramos muito negar: o que verdadeiramente nos define é o sexo. Sookie, a personagem de Anna Paquin, desde que comecei a acompanhar o seriado, passou três episódios fodendo com seu atual amante e apenas parou de foder, domingo passado, porque levou um tiro no abdômen. Não há exagero nenhum na sexualidade apresentada e nenhum tipo de medida pornográfica artisticamente disfarçada para inserir em um seriado esse tipo de comportamento sexual. Neste artigo meu aqui, vocês poderão se inteirar acerca das bases que me fazem afirmar isto com maiores detalhes.

É um seriado inovador pelo que vi em três episódios. Espera-se muito e todas as nossas expectativas são atendidas. É mais do que um simples seriado com Vampiros e Lycans comendo mocinhas, lésbicas e gays se beijando ou as maratonas sexuais tão criticadas dentro e fora da Internet por quem considera a sexualidade vista no mesmo bastante exagerada. Superior a todas as merdas que estão sendo feitas atualmente no Gênero Terror, é uma grande relíquia televisiva, um programa imperdível para os chatos e insossos domingos de nossas humanas vidinhas. Curtam como eu estou a curtir, de mente abertíssima para tudo que é tratado, uivando bem alto com prazer inacabável e com um gostinho de sangue na boca buscando alvos por todo lado...

Saudações Inomináveis a todos vós, cadáveres leitores.


Publicado originalmente em: Projeto C.O.V.A. - Blog
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Re: Pegando O Bonde Andando De True Blood...

Mensagem  Laracna em Ter Jul 10, 2012 10:02 am

Eu comecei a assistir os primeiros capítulos e a minha impressão geral foi que seria uma série, digamos, "quente". Logo nos primeiros minutos temos cenas de sexo e elas continuam no desenrolar da história. Não tive tempo de continuar a assistir, mas ainda pretendo baixar os demais episódios.
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Re: Pegando O Bonde Andando De True Blood...

Mensagem  Inominável Ser em Qua Ago 01, 2012 6:46 pm

Sexo demais, história de menos... Mas, há algo de interessante, além disso, no seriado.
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Re: Pegando O Bonde Andando De True Blood...

Mensagem  Laracna em Qui Set 06, 2012 10:45 am

Não que sexo demais seja uma problema... Twisted Evil Mesmo assim, ainda tenho vontade de continuar a assistir.

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Re: Pegando O Bonde Andando De True Blood...

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