Projeto C.O.V.A.

Enterre-se nesta Cova se tiver coragem e ossos!!!

Aos Artistas Que Sobrevivem Nas Sombras Mais Inspiradoras E Aos Amantes Destas Sombras Na Forma De Arte, Poesia, Literatura E Música


O Crânio

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Inominável Ser
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Localização : Onde vivem os mortos

O Crânio

Mensagem  Inominável Ser em Dom Maio 26, 2013 12:22 am



Tête du Mort - Antoine Joseph Wiertz


Bebi No Crânio Da Vida

O Vinho Vital

Do Crepúsculo De Todos Os Dias,

Fiz Meu Ritmo Cadenciar

As Ondas Bravias Do

Grande Cósmico Mar,

A Deusa Morte Organizou

Minha Cova Sem Me Fazer

Sequer Negar

A Sabedoria Do Crânio

Que Fica A Elaborar

As Respostas Todas Contidas

No Seguir Da Verdadeira Morte

Para Todas As Coisas Vazias

E No Declarar-Se

Diante Da Própria Diurna Morte

Verdadeiramente Vivo

Na Grande Noite Que Fala

Das Vidas Das Divinais

Sendas Noturnas

Onde Todo Crânio Jaz

Perante A Face Dos Vitoriosos

Da Guerra Contra

Todas As Mentiras Carnais...

Meu Crânio Ali Jaz...

Nossos Crânios Ali Jazem...

Ao Que Tu Te Apegas

Vendo Já Vosso Crânio

Tornando-Se Pó

Na Cova Que Tua Serás?


Inomináveis Saudações a todos vós, Coveiros e visitantes.

O Crânio, que tão facilmente pode ser esfacelado.

O Crânio, que tão utilmente sustentamos com orgulho, em alguns.

O Crânio, que revela os Mistérios cercando as Passagens Da Existência Material Para A Imaterialidade.

O Crânio, venerado pelos poetas, os sombrios poetas.

O Crânio, venerado pelos escritores, os sombrios escritores.

O Crânio, marcando também O Tempo.

O Crânio, simbolizando A Inexorável Ação Do Tempo.

O Crânio, trabalhando como O Pêndulo mostrando que somos isso:

Frágeis...

Tolos...

Humanos...

Fadados, ao nascermos, a diretamente irmos para o fundo de uma cova...

Desde a Antiguidade, a Humanidade possui diversas crenças e opiniões acerca do Crânio. Acreditou-se, até o século XVII, como fato cientificamente fundamentado, que a alma corria pelos fluidos gerados pelos centrículos do cérebro. Alguns seres humanos, apesar de todo o desenvolvimento da Ciência e da Medicina, ainda hoje é levado a crer que a Mente exerça o mesmo trabalho que o Espírito na constituição dos movimentos de um ser racional. Antes de tudo, ele é um símbolo da inutilidade de toda vaidade humana, já que demonstra que o caminho natural de toda criatura mortal e fadada a receber as metamorfoses proporcionadas pela fenomenalidade material, findará os seus dias, os dias de seus restos materiais, desprovida da carne que com esmero e arrogância tanto se envaidece. A Força Do Simbolismo Do Crânio é das mais Verdadeiramente Corretas; se todos os que se acham acima dos demais por causa da cor de sua pele, do status social e da qualidade intelectiva se atentassem a tal simbólico fator de chamamento a uma Verdade, a Existência seria bem mais frutífera a nível de humildade e melhor consideração e respeito pelos semelhantes. Tal não é assim, entretanto, e a maioria humana, tão apegada à sua veste carnal, apenas caminha como quem colhe frutas mortas como frutas amadurecidas e saudáveis de árvores eternas.

Arqueólogos, há tempos, descobrem amontoados de crânios dispostos em caixas em altares, uma prova de que as culturas antigas conseguiam melhor compreender a Força Do Simbolismo Do Crânio. Juntamente a historiadores, eles avaliam a existência de tais sepultamentos desde o Período Pleistoceno (entre 1 milhão e 806 mil e 11 mil e 500 anos atrás, aproximadamente). O cérebro era retirado e algumas teorias levam a reconhecer que o mesmo servia de alimento (a antiga crença, ainda hoje presente em algumas tribos mui primitivas de indígenas pelo mundo, de que o cérebro contém toda a energia e disposições espirituais de um Ser, teria alimentado essa prática). Os antigos também eram especializados nas ornamentações artísticas de crânios e para tratamentos medicinais; provas disso foram as descobertas arqueológicas no Egito, cujas deformações cranianas anunciavam que as mesmas foram efetuadas para que apoiassem as cabeças ainda nada firmes das crianças; e na Idade Da Pedra realizavam-se trepanações, operações que vazavam a cabeça em um lugar específico onde ocorresse uma dor a fim de aliviá-la, operação feita com extrema perícia, pois muitos pacientes viveram por muitos anos após elas. Ainda na Antiguidade, podemos atribuir aos norse a crença de que o céu era formado pelo crânio do gigante Ymir; em um texto sueco cita-se uma balada na qual conta-se que um violino foi gerado a partir de um crânio mágico; e os alquimistas acreditavam que o crânio era o receptáculo da transmutação, a mudança psíquica de um estado inferior para um estado inferior de inteligência e de noção da realidade. Beber o sangue do inimigo em uma taça, prática dos bárbaros da Escandinávia e da Germânia, como das lendárias Amazonas, era feita com o intuito de que se pudesse adquirir a coragem e a força do inimigo abatido em combate. Afora as lendas, podemos retirar de tudo um pouco que nos seja útil, já que as visões, de uma cultura para a outra, de uma época para a outra, seja em quaisquer assunto tratado, sempre serão heterogêneas e divergentes. Depende sempre da nossa capacidade de discernimento e de meditação sobre as informações que recebemos separar o joio do trigo, como popularmente se diz nas ruas e até nos meios mais cultos da Humanidade.

As catacumbas cristãs são objeto de fascínio, admiração e peregrinação por onde existam. São produtos das perseguições efetuadas contra os primeiros cristãos pelo Império Romano, onde eram enterrados as vítimas por este feitas. Desde o primeiro mártir, Estevão, até a consagração do Cristianismo como religião oficial do Império Romano por Constantino, foram mais de duzentos anos de perseguições ferozes e mortes brutais, muitas destas ocorridas no Coliseu De Roma. O Crânio é, em contrapartida, um forte símbolo religioso, já que muitas igrejas mantém conservadas crânios de santos e de mártires e há muitos exemplos da prática, como a das onze mil virgens de Colônia. Em outras religiões e culturas, podemos notar a mesma preocupação religiosa; dois exemplos ilustram o dito, sendo o primeiro o das peregrinações efetuada na Nova Caledônia em homenagem aos crânios de chefes e guerreiros do passado; o segundo, na Indochina, com relação ao povo wa, o qual oferecia os seus crânios como presentes para os seus ancestrais. Os Caçadores De Cabeças De Bornéu fazem de sua Arte uma Religião (como eu vejo) e um Esporte ao mesmo tempo, já que usam como travesseiros os crânios de seus inimigos abatidos em suas temíveis caçadas. Para eles, assim como para os da Nova Guiné, o Crânio representa não apenas a prova incontestável e inalienável de sua vitória perante um inimigo, mas a obtenção do poder pessoal e da coragem do mesmo, somadas, então, às suas. Práticas bárbaras, sei, mas não diferem em nada das de organizações criminosas como o PCC e o Comando Vermelho, e terroristas como a Al Qaeda e Fatah, que, conforme já noticiaram os jornais impressos e televisivos, andaram a decapitar algumas de suas vítimas simplesmente pelo puro prazer da crueldade sem sentido aliada a demonstrações de força. Não se pode chamar de Arte o que os criminosos brasileiros se dispõem, assim, a fazerem; e muito menos de Religião, já que o intuito, sempre, é o da vingança e da maior possibilidade de levar ao sofrimento os inimigos abatidos. Um Esporte, cruel e danoso demais, insano e decadente demais, é como podemos classificar tal prática, simplesmente, com um pouco de motivações políticas e idealísticas (no caso do Terrorismo) para disfarçarem a sua total falta de sentido. Ainda no terreno criminoso, o Crânio também era símbolo dos piratas, erroneamente tranformados em “heróis” pelo cinema hollywoodiano; nada tinham de heroísmo em suas ações, pois saqueavam, estupravam e matavam como um delicioso e revigorante Esporte, para eles, indiscriminadamente. Os nazistas possuiam em alguns emblemas um crânio como símbolo e algumas corporações policiais de “elite”, pelo mundo, possuem-no, significando que o simbolismo a nível esportivo pode adquirir várias facetas. Mais a fundo no terreno criminoso, podemos citar os caçadores de animais que, qual os bárbaros germanos do século I citados em um escrito do romano Tacitus, colecionam os crânios de animais abatidos em caçadas, conservando-os como “troféus” dignos da “alta categoria”, “honestidade” e “nobreza” de seu Esporte...

Me nego a escrever o que vem à mente agora pensando nos senhores citados no parágrafo acima e concluo, imparcialmente, este texto ora aqui presente a fundar este tópico da Magia Dos Símbolos.

No terreno da Ciência, houve a Frenologia, a qual durante certo tempo foi crida como um ramo daquela de total e irrestrita confiança. Desenvolvida por volta de 1800, por Franz Joseph Gall (1758-1828), encontra-se hoje totalmente desacreditada e vista como pseudo-ciência, já que pregava que através das formas anatômicas cranianas poderia reconhecer o caráter, a inteligência, a índole e as disposições de um indivíduo humano. Apenas consultando os manuais de Frenologia e alguns livros a tratarem do assunto, todos nós podemos notar o absurdo de tal teoria que, claro, diante das descobertas verdadeiramente eficazes da Ciência no século XX caiu definitivamente nas áreas dos risíveis fundamentos sofismáticos e das ridículas teorizações especulativas. Mais atrás ainda, antes da Frenologia, na Idade Média, tratava-se a epilepsia (que era tida como uma doença sobrenatural) com um estranho elixir denominado “elixir do espírito do crânio humano”, preparado com o crânio não-sepultado de um criminoso. No século XVII, médicos receitavam a aspiração do pó raspado de caveiras para a cura de dores de cabeça... Muito misticismo, na acepção mais negativa deste termo, e muita mistificação, permeavam as épocas citadas, pois, claro, nenhuma das duas citadas “técnicas” obtinha positivos resultados. Com o incremento de maior racionalidade e o aumento da intelectualidade no meio científico e medicinal pode-se, então, seguir adiante, a partir do século XX, com métodos e tratamentos especiais para todas as doenças relacionadas aos órgãos contidos no crânio, não receitando mais “alternativas” como as acima citadas para a cura de uma dor de cabeça, por exemplo.





Orc Cemetery - Luis Royo


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