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A Dança

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Inominável Ser
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A Dança

Mensagem  Inominável Ser em Dom Maio 26, 2013 12:29 am



Salomé - 1906 - Franz Von Stuck


Danço E Vivo

Nas Esferas Dos Caminhos

Que Me Alçam

Ao Bailar Cósmico

Em Risos!


Danço E Assimilo

As Rodas Dos Sonhos

Amparando O Carro

Dos Vários Altos

Dançantes Caminhos!


Danço E Acredito

Que Shiva E Kali

Estão No Tântrico Alvorecer

Das Chamas Dançantes

Infinitas!


Danço E Vejo

O Dragão E A Deusa

Nos Bosques Antigos

Dançantes Aos Toques

Dos Tambores Da Natureza!


Danço E Beijo

Ártemis Caçadora

Que É Selene Iluminadora

E Hecate Protetora

No Raiar Da Flauta Sagrada!


Danço E Viajo

Nas Asas Dos Pássaros

Que Sabem Do Dançar

De Todos Os Céus

Alegremente Sobrevoados!


Danço E Encontro

O Kosmos Como Palco

De Dançarinos Cósmicos

Ativos No Dançar

Para O Um!


Danço E Revelo

Com Meus Passos De Dança

A Visão Do Um

Que Como Dançante Aconchego

É Nota Toda Harmônica!


Danço E Convido-Te

Para Verdadeiramente Dançar

Ao Som Da Criação

E Da Imensidão

De Teu Dançante Interior!


Danço E Digo-Te

Que Passos Corretos Dados

Fazem Flutuar-Se Nos

Grandes Espetáculos

Da Dançante Verdadeira Vida!


Danço E Danço

Com A Face Oferecendo

Aos Senhores Da Dança

Alegria Preenchida

De Dançantes Energias!


Inominável Ser

DANÇANTE


Inomináveis Saudações a todos vós, Coveiros e visitantes.

Aos Deuses Antigos, todos os povos ofereciam Danças Sagradas, meios de expressarem a devoção e de obterem um contato com Aqueles, na celebração mais vívida de que se possa ter noção por causa das envolventes dedicações de cada passo ao Encontro com os que dedicadas eram as mesmas. A Dança está entre as Artes mais antigas da Humanidade, também em sentido artístico, na elaboração de movimentos que (algo pouco sabido por muitos dançarinos de boates e danceterias) põem em ação determinados mecanismos do próprio Ser Interno, que envolvido pelo momento de êxtase, pois dançar é entrar em êxtase, tende a fortalecer e a purificar o corpo das angústias e das dores, mesmo por alguns momentos passageiros. Para os povos antigos, a Dança era de muitíssima importância, estando presente em épocas como as da semeadura, colheita, caça e rituais mágicos de cura, rituais estes que ainda existem entre os indígenas brasileiros, ianques, africanos e os aborígenes. Como dito no início, os povos antigos e os remanescentes desses mesmos povos, viam a Dança como Sagrada e nisto há uma diferença entre nós, que nos consideramos civilizados, e eles.

A Dança Do Creu, da Boquinha Da Garrafa, do Tchan, do Poste e outras danças eróticas brasileiras são apenas pálidas referências aos ritos de puberdade presentes principalmente entre os aborígenes. Enquanto que nas danças eróticas apenas o mais material da carne é exaltado em detrimento do Espírito, a preparação do mocinho e da mocinha nos ritos tribais é elaborada nos dois caminhos a fim de prepará-los para a entrada naquela fase. As danças rituais iniciáticas desses adolescentes simbolizam a morte para com a imaturidade e a sua ressureição como membro da sociedade adulta a qual passará a pertencer, entre os waiang-arree, uma tribo da costa oeste australiana; os waiang-arree ainda incluem a circuncisão ritual. As adolescentes recebem um tratamento iniciático peculiar entre tribos da América do Sul, cujas celebrações da puberdade feminina incluem danças em uma roda giratória, especificamente repetindo o movimento dos ciclos de gestação e maturidade do mundo fazendo com que aquelas compreendam a necessidade de deixar uma fase antiga existencial para o adentrar em uma nova fase, portando chocalhos que marcam ritmicamente os passos lateralmente executados. Enquanto dançam, quatro curandeiros tratam de cantar e de exorcizar quaisquer espíritos malignos que possam se aproximar ou que estejam há muito próximos delas. Entre os maipur da Venezuela são as mulheres mais velhas da tribo que simbolicamente caçam Espíritos e Demônios que são representados por guerreiros mascarados devidamente. Os apaches do Novo México também repetem para as meninas a mesma dança circular, a qual dura quatro dias, onde dentro do círculo quatro dançarinos mascarados denominados gahe, executam uma coreografia que vem a representar a personificação dos Espíritos Da Montanha, agitando espadas no ar; pajens femininas, ao mesmo tempo, explicam às mocinhas os seus novos pápeis em sua sociedade tribal, representando assim uma parte importante dos ritos.

Danças de cura e alucinatórias são várias, possuindo os mesmos efeitos, pos quais são a da eliminação de caracteres negativos tanto do corpo quanto da mente e da Alma e do Espírito. Os xamãs elaboram dançam que tencionam unificar a Magia Ritualística com propósitos de cura a todos os que atendem. Os dervixes turcos rufai, denominados também dervixes uivantes, e os mevlevi com a sua dança giratória bela e alucinante destacam-se, sendo seguidores de um culto místico nascido do Sufismo. A tribo asiática dos balinese entram em êxtase em uma dança representando simbolicamente o suicídio, no qual apontam punhais para os próprios peitos. No Brasil, a Umbanda, o Candomblé, o Catimbó, a Quimbanda e outros ritos de origem africana utilizam-se muito da Dança para entrarem em contato com os Órixas, Exus, Caboclos, Pretos-Velhos, Erês e demais qualidades de Espíritos que fazem parte de seus panteões ritualisticos. No Haiti, o Vodu é outro exemplo de rito africano no qual a Dança é elemento importantíssimo nas celebrações ritualisticas. A marcação dos tambores e os passos dos Iniciados em tais ritos tendem a criar um transe natural, no qual os pés descalços sentem a energia da terra, a terra a estremecer no ritmo das batucadas direcionadas ao chamamento das Entidades Espirituais, as quais aproximam-se de seus respectivos aparelhos, como são chamados os que incorporam-nas, a fim de darem as suas mensagens aos que assistem aos rituais e realizarem trabalhos de atendimento e cura. Eles também dançam e é bela a dança de Órixas como Obaluaye e Ogum, a de Caboclos como Arranca-Toco e Maya-Dendê, a de Pombagiras como Maria Mulambo e Maria Padilha; danças que contagiam e que mostram a beleza tanto do ato da incorporação total do médium com uma Entidade quanto a forma sagrada de dançar.

A Dança Dos Mascarados é própria dos iroquê do Estado De New York (USA) e do Canadá, dança que possui a finalidade de exorcismos de Espíritos maus que rondam a tribo; danças exorcizantes também são praticadas pelos navajos do Arizona. Há também as danças imitativas, algumas executadas antes de uma caçada (unificando-as, assim, com os ritos de caça), a fim de que esta seja plenamente realizada de um modo positivo, uma mímica que se propõe a imitar os movimentos dos animais que serão caçados. Os kemirai da Austrália imitam cangurus e os homens-macaco da Costa Do Marfim os animais dos quais deriva a sua denominação; danças imitativas como essas adquiriram em muitas tribos apenas o caráter de divertimento, assim como em povos como o japonês com os seus festivais folclóricos nos quais incluem-se representações de dragões, cervos, ursos, galos e um leão cômico de origem chinesa; na Turquia, há festivais, muito parecidos com o Carnaval, nos quais os participantes trajam peles de camelos e raposas. Danças celebrantes da Agricultura há em países como Romênia, Grécia e Egito; na Espanha, há a Filada, dança especificamente referente à profissão das fiandeiras; e na Dinamarca, há a Dança Dos Sapateiros. Os dois últimos exemplos referem-se a danças dedicadas a atividades profissionais e, como o Carnaval foi citado, farei uma breve referência ao mesmo. Festa de origens pagãs (o culto de Baco, o mais diretamente relacionado a ele), trata-se de um evento no qual a Dança em seu caráter invertido é parte fundamental, em ritmos que apenas evocam os instintos primitivos do ser humano e as tendências erotizantes do mesmo ao máximo. Junto a letras cantadas com o intuito de indicarem referências a grosseiros atos sexuais, é um palco onde o Espírito adormece e apenas a carne prevalece, como o próprio significado do nome da festa, Festa Da Carne, nos diz de maneira bem clara. Nada aqui de falso moralismo, apenas um olhar sobre um fato conhecido até por acadêmicos, os quais, muitos, já elaboraram estudos e teses; claro que tais estudos e teses utilizaram-se apenas da linguagem e do pensamento acadêmicos, que não sabem dançar tão bem quanto o Livre-Pensamento.

Em determinadas sociedades antigas e contemporâneas, a Dança impõe também a posição social de seus praticantes. Na Europa Medieval, nos ritos esotéricos indígenas e em nossa civilização atual há a divisão do que se considera dança envelhecida e arcaica e dança nova e empolgante. Em sociedades rígidas, como a de certas tribos, as mulheres são postas em condição inferior e apenas os mais bravos guerreiros possuem a permissão para dançar. Na Índia, ainda a contar com o estúpido e imbecil sistema de castas, os paraiana, a mais baixa delas, pratica danças sem sofisticação alguma nas quais os dançarinos entram em transe executando violentos movimentos; os nobres hindus, os kshatriya, executam danças elaboradamente coreografadas, com sofisticada indumentária, primando pela delicadeza dos passos, pela suavidade do desenvolvimento destes. A Dança De Shiva, A Dança De Kali, A Dança De Shiva E Kali, Divindades indianas, é uma Cósmica Dança de Caráter Transformante, pois Shiva (O Destruidor) e Kali (A Deusa Da Morte), unidos, evocam os simbolismos da Dança Transformadora Interior, Dança na qual os caracteres negativos do temperamento e da personalidade desaparecem, são destruidos, ocasionando as várias mortes de um Ser e o seu ressuscitar pleno como Novo Ser após cada uma delas. O simbolismo das posturas sexuais de Shiva e de Kali também é uma Dança, a Dança Sagrada Do Sexo Sagrado, no qual as energias do ato sexual são direcionadas a um Fim Maior, o do gerar de um Novo Ser Dentro Do Ser ou fora do Ser, como uma criança que, mesmo assim, oriunda fisicamente do homem e da mulher que lhe são pais, faz parte do Ser destes. As posturas das danças do mundo comportam vários simbolismos, que podem representar melancolia, alegria, prazer; são universais, já que às mulheres cabe a suavidade e a brandura, a delicadeza da garça dançante, em movimentos que correspondam à sua feminilidade, orientadora de sua sensualidade; ao homem, ser também sensual, mas de viril porte existencial, o vigor e a violência dos movimentos representam a masculinidade em sua expressão mais alta. Porém, nem sempre podemos notar isso, já que há mulheres que assumem posturas viris em algumas danças e homens que assumem posturas feminis em outras, sendo o exemplo mais recente o do crescimento dos adeptos masculinos da Dança Da Ventre, dança tipicamente feminina. O gestual também entra na panorâmica da Dança de uma maneira geral, é parte que cabe-nos bem considerar em sua plenitude, podendo ser simples, sofisticada, obscura ou não-identificável com qualquer referência direta a um fato humano. A Dança é um Símbolo de extravasamento e de envolvimento, de libertação e de encantamento, de sacrifício e consagração, de Amor e Eternidade, é de toda a Humanidade e em toda a Humanidade É.

Veremos o simbolismo dos Encantamentos a seguir.

Saudações Inomináveis a todos vós, Coveiros e visitantes.







Danza Flamenca - Angel Martin


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