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Anúbis

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Elektra
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Anúbis

Mensagem  Elektra em Seg Nov 15, 2010 7:40 pm

ANÚBIS





Anúbis, também conhecido como Anupu, ou Anupo e cujo nome hieroglífico é traduzido mais propriamente como Anpu, é o antigo deus egípcio da morte.
Conhecido como deus do embalsamamento,(foi a primeira múmia do Egipto e como ajudou Isís a mumificar Osíris tornou-se o santo dos embalsamadores),era também o guardião das necrópoles, das tumbas,o juiz dos mortos, e guia do defunto no seu caminho no submundo.





Os egípcios acreditavam que no julgamento de um morto era pesado seu coração e a pena da verdade (como podemos ver em muitas gravuras egípcias).
Anubis era associado com Maat, a deusa da justiça. Os egípcios acreditavam que o morto viajaria pelo Corredor dos Mortos. Lá, Anubis pesaria o seu coração contra a pluma de Maat, estabilizando a balança primeiro para garantir exactidão. Se o seu coração pesasse mais do que a pluma, ele seria comido pelo demônio.





Os sacerdotes de Anúbis, chamados "stm", usavam máscaras de chacais durante os rituais de mumificação. Anúbis é uma das mais antigas divindades da mitologia egípcia e seu papel mudou à medida que os mitos amadureciam, passando de principal deus do mundo inferior a juiz dos mortos, depois que Osíris assumiu aquele papel. A associação de Anúbis com chacais provavelmente se deve ao fato de estes perambularem pelos cemitérios.

O Anúbis era pintado de preto, por ser escura a tonalidade dos corpos embalsamados. Apesar de muitas vezes identificado como "sab", o chacal, e não como "iwiw", o cachorro, ainda existe muita confusão sobre qual animal Anúbis era realmente. Alguns egiptologistas se referem ao "animal de Anúbis" para indicar a espécie desconhecida que ele representava. As cidades dedicadas a Anúbis eram conhecidas pelo grande número de múmias e até por cemitérios inteiros de cães.

Anúbis é fruto de uma ilegítima noite de amor vivida por Osíris nos braços de Néftis.
A lenda revela-nos que tão inusitada união dera-se aquando do retorno do então Soberano do Egipto ao seu magnífico país. Extenuando de uma viagem que o mantivera longe da sua pátria por uma eternidade, Osíris ardia em desejo de sentir o Sol que raiava no olhar de Ísis despir a mortalha de nuvens, tecida pela saudade, que vestia e sufocava os céus de sua alma. Ao vislumbrar Néftis, o deus enlaça-a então em seus braços, tomando-a pela sua esposa. E os seus sentidos, cegos pela paixão, revelam-se impotentes para lhe desvendar a traição que ele cometia, antes desta encontrar-se consumada. Graças a uma coroa de meliloto abandonada por Osíris no leito de Néftis, Ísis apercebe-se de que o seu amado esposo havia-lhe sido infiel e, desesperada, confronta a sua irmã, que lhe revela que dessa noite nascera um filho, Anúbis, o qual, temendo a cólera do seu esposo legítimo, Seth, ela havia ocultado algures nos pântanos. Ísis, a quem não fora concedido o apanágio de conceber um filho de Osíris, enleia então a resolução de resgatá-lo ao seu esconderijo, percorrendo assim todo o país até encontrar a criança. Acto contínuo, e numa notória demonstração da benevolência que lhe era característica, a deusa amamenta Anúbis, criando-o para tornar-se o seu protector e mais fiel companheiro.

A lenda de Osíris comprova que Ísis foi coroada de sucesso, uma vez que, após o desmembramento do corpo de seu esposo, Anúbis voluntariou-se prontamente para auxiliar a deusa a reunir os inúmeros fragmentos do defunto. Posteriormente, Anúbis participa com igual dedicação nos rituais executados com o fim de restituir a Osíris o sopro de vida e que lhe facultaram a concepção da primeira múmia, facto que legitimou a sua conversão no venerado deus do embalsamamento, eterno guia do defunto no Além. A sua crescente influência garantiu-lhe um posto relevante no tribunal composto por quarenta e dois juizes que julgava os recém- inumados. De facto, é ele quem conduz o morto até Osíris, apresentando-o ao tribunal por ele presidido, para de seguida proceder à pesagem do coração. Se porventura o morto desejar mais tarde regressar à terra, é Anúbis quem ele tem a obrigação de notificar previamente, dado que esta surtida só será exequível com o seu consentimento expresso, formalmente consignado sob a forma de um decreto.


Em épocas mais tardias, Anúbis foi combinado com o deus grego Hermes, surgindo assim Hermanúbis.

"Nós, os Chacais, sacerdotes de Anúbis, somos os guardiães de suas tumbas gloriosas ou sepulturas humildes. Somos os guardiães dos mortos. Somos os servos de Anúbis. Somos a Cinópolis." Capítulo dos Mortos, Livro de Maat





Mas afinal que arte era esta que Anúbis protegia e representava?

Originalmente, antes de haverem alcançado o seu meticuloso método de mumificação, os Egípcios envolviam os seus defuntos numa esteira ou pele de animal, visando que o calor e o vento dissecassem os cadáveres. Após um moroso processo evolutivo, os embalsamadores conseguiram enfim obter de forma artificial tal conservação natural.

Os egípcios acreditavam na vida após a morte, e para isso seus corpos teriam de sobreviver. A técnica de preservar corpos é chamada de embalsamamento.
Os embalsadores iniciam o tratamento do corpo pelo cérebro esvaziando-o através das introdução de ganchos pelo nariz, liquidificavam todo o interior que depois escorria para fora, deixando-o vazio.

Depois faziam uma incisão no lado esquerdo e tiravam o fígado, pulmões, estômago e os intestinos, que eram preservados em natrão e resina.Eram envolvidos separadamente em tecidos de linho, formando pequenos embrulhos e depois colocadas nos chamados vasos canopos, que tinham cabeças de deuses guardiões.O coração por outro lado símbolo da razão, cerne do encontro do espírito e simulacro da alma, após ser submetido a um rigoroso tratamento que visava a sua conservação, era sempre recolocado no corpo do defunto, que iria necessitar dele, ao longo do seu julgamento no Além. Por seu turno, as intrínsecas vísceras eram entregues a quatro deidades protectoras, filhos de Hórus, cujas cabeças ornamentavam frequentemente as tampas dos canopos: Amset, com cabeça de homem, (cujo nome resulta de aneth, uma planta conhecida pelas suas propriedades de conservação), tornado protector do estômago; Hápi, possuidor de uma cabeça de babuíno, que vela pelos intestinos; Duamoutef, que ostenta uma cabeça de cão e cuja missão é proteger os pulmões; e Quebekhsenouf, detentor de uma cabeça de falcão, que preserva o fígado. A partir do Novo Império, eram representadas nas arestas dos canopos deusas protectoras, que, com as asas abertas, resguardavam os seus conteúdos. As mesmas deusas surgiam ajoelhadas nos cantos dos sarcófagos. Nut, a deusa da abóbada celeste, adorna a face interior do tampo do caixão.








Após terem limpo diligentemente a cavidade abdominal, lavavam-na com vinho de palma e preenchiam o ventre com uma fusão de mirra pura, canela e outras matérias odoríferas. Deixavam então o corpo repousar numa solução alcalina, baseada em cristais de natrão seco, onde permanecia durante setenta dias.
Após este tempo a múmia era envolvida com mais de vinte camadas de ligaduras e coberta por um óleo de embalsamamento (uma mistura de óleos vegetais e de resinas aromáticas- coníferas do Líbano, incenso e mirra), que endurecia, rapidamente. Todavia, as suas propriedades anti-micóticas e anti-bacterianas não protegiam a estrutura do corpo esvaziado, dissecado e leve, facto comprovado pelo incidente ocorrido com a múmia do jovem faraó Tutankhámon, que se fragmentou, quando a tentaram remover do seu caixão. As faixas que envolviam o defunto eram, preferencialmente, de cores vermelho e rosa, jamais sendo utilizado para a sua concepção linho novo, mas sim, aquele que era obtido a partir das vestes que o morto envergava em vida. À medida que as ligaduras eram colocadas em torno dos defuntos, os sacerdotes presentes pronunciavam fórmulas sagradas. Simultaneamente, depositavam-se nos leitos de linho inúmeros amuletos profilácticos, tendo mesmo sido encontrada uma múmia com cerca de oitenta e sete destes objectos de culto. Entre estes encontrava-se ankh (vida), uma das mais preciosas dádivas oferecidas aos homens pelos deuses; o olho de oudjat, ou olho de Hórus, símbolo de integridade, que selava a incisão feita pelos embalsamadores, para retirar as entranhas do morto; um amuleto em forma de coração, concebido para assegurar que os defuntos seriam bem sucedidos nos seus julgamentos; e o escaravelho, esculpido em pedra, barro ou vidro. Este insecto enrola bolas de esterco, onde depõe os ovos. Os Egípcios creiam que um escaravelho gigante gerara o Sol de forma similar, rolando-o em direcção do horizonte, até ao firmamento. Uma vez que todas as manhãs este astro soberano desprende-se de um abraço de trevas, o escaravelho tornou-se num símbolo da ressurreição dos mortos.

Para enfaixar o corpo, primeiro enrolavam os dedos dos pés e das mãos, as pernas e os braços eram enrolados separadamente, depois se envolviam todas as partes do corpo. Após todos esses preparos a múmia era colocada em um caixão de madeira.
Os sacerdotes faziam orações para ajudar o morto em sua viagem ao outro mundo. O chefe dos embalsamadores, abençoam a múmia depois de pronta.

Uma vez ser necessário quantidades abundantes de água para lavrar os corpos, este ritual era realizado na margem Ocidental do rio Nilo (a considerável distância das habitações), onde os embalsamadores trabalhavam numa tenda arejada. Ultimado o referido período de tempo, os defuntos seguiam para as designadas “Casas de Purificação”, meras salas reservadas para as práticas de mumificação, onde cada gesto dos embalsamadores era talhado no olhar vigilante dos sacerdotes. Segundo inúmeros baixos-relevos e pinturas, estes primeiros ostentavam máscaras com a efígie do deus- chacal Anúbis, a deidade protectora dos mortos, talvez num desejo de atrair a sua benevolência.

O único exemplar que se conserva de semelhante máscara leva a crêr que esta servisse igualmente de protecção contra os diversos cheiros que fustigavam os embalsamadores. Alguns momentâneos descuidos destes levaram-nos a esquecerem-se, por vezes, de determinados instrumentos no interior das múmias, o que nos permite conhecer, aprofundadamente, os seus diversos utensílios de trabalho: ganchos de cobre, pinças, espátulas, colheres, agulhas, vasos munidos de bicos para deitar a goma escaldante sobre o cadáver e furadores com cabeça de forcado, para abrir, esvaziar e tornar a fechar o corpo. Dada a ausência de qualquer informação legada pelos Egípcios sobre as suas técnicas de embalsamamento, é necessário recorrer aos relatos de historiadores gregos, como Heródoto, para que a nossa curiosidade seja saciada. As suas descrições permitem-nos vislumbrar cada movimento dos embalsamadores." Em primeiro lugar, estes extraíam o cérebro do defunto pelas narinas, com o auxílio de um gancho de ferro. Seguidamente, “com uma faca de pedra da Etiópia” (segundo refere Hérodoto) efectuavam uma incisão no flanco do defunto, pelo qual retiravam os intestinos do morto.

Paradoxalmente, os mais humildes eram privados de qualquer prerrogativa, sendo sepultados no deserto, envoltos numa pele de vaca, uma vez que não possuíam meios para pagar o avultado preço da imortalidade.


AS MÁSCARAS FUNERÁRIAS


O defunto devia ser reconhecido no Além. Por este motivo,por cima das ligaduras do corpo mumificado colocava-se uma máscara dos faraós.
Eram feitas de ouro e lápis lazúli. Segundo o mito a carne dos deuses era de ouro, o seu cabelo de lápis lazúli e os seus ossos de prata, material muito raro no Egipto.
Os faraós eram representados com a aparência do deus Osíris, soberano dos mortos .Na cabeça levavam o nemes que era um toucado ás riscas com a serpente protectora dos faraós na parte da frente.Os braços ficavam cruzados sobre o peito e numa das mãos seguravam o ceptro real, enquanto na outra agarravam um chicote.

Uma das máscaras funerárias mais conhecidas do mundo
A máscara de Tutankamon





Livro dos mortos


"Glória ti, Senhor da Verdade e da Justiça ! Glória a ti, Grande Deus, Senhor da Verdade e da Justiça ! A ti vim, me apresento para contemplar as tuas perfeições. Porque te conheço, conheço o teu nome e os nomes das quarenta e duas divindades que estão contigo na sala da Verdade e da Justiça, vivendo dos despojos dos pecadores e fartando-se do seu sangue, no dia em que se pesam as palavras perante Osíris, o da voz justa: Duplo Espírito, Senhor da Verdade e da justiça é o teu nome. Em verdade eu conheço-vos, senhores da Verdade e da Justiça; trouxe-vos a verdade e destruí, por vós, a mentira. Não cometi qualquer fraude contra os homens; não atormentei as viuvas; não menti no em tribunal; não sei o que é a má fé; nada fiz de proibido; não obriguei o capataz de trabalhadores a fazer diariamente mais que o trabalho devido; não fui negligente; não estive ocioso; nada fiz de abominável aos deuses, não prejudiquei o escravo perante o seu senhor; não fiz padecer de fome; não fiz chorar; não matei; não ordenei morte a traição; não defraudei ninguém; não tirei os pães do templo; não subtraí as oferendas dos deuses; não roubei nem as provisões nem as ligaduras dos mortos; não auferi lucros fraudulentos; não alterei as medidas dos cereais; não usurpei terras; não tive ganhos ilegítimos por meio dos pesos do prato de da balança; não tirei o leite da boca dos meninos; não cacei com rede as aves divina; não pesquei os peixes sagrados nos seus tanques; não cortei a água na sua passagem; não apaguei o fogo sagrado na sua hora; não violei o divino céu nas suas oferendas escolhidas; não escorracei os bois das propriedades divinas; não afastei qualquer deus ao passar. Sou puro ! Sou puro ! Sou puro !”


ENTERRO





Um enterro egípcio era ao mesmo tempo lúgubre e pitoresco. Os membros da família davam um espectáculo ao soluçar e gesticular durante todo o trajecto. Além disso, para demostrar bastante dor, alugavam carpideiros e carpideiras profissionais. Estas últimas, sobretudo, eram infatigáveis. Com o rosto lambuzado de lama, o seio descoberto, o vestido rasgado, não cessavam de gemer e de bater na cabeça. As pessoas sérias que faziam parte do cortejo não se entregavam a gestos tão excessivos, mas, enquanto caminhavam, relembravam os méritos do defunto.

Logo que subia ao trono, o novo rei ordenava a um arquitecto que começasse imediatamente a construção de seu túmulo.
A terra dos mortos ficaria a oeste, onde o sol se põe. A pirâmide devia estar alinhada com a estrela polar do norte. Um sacerdote observaria num cercado a posição da estrela quando ela surgia acima do muro e quando ela se põem atrás do muro. Dividido ao meio o ângulo entre ele e ao pontos do nascimento e do acaso da estrela, estabelecendo o norte com exactidão.Ao contrário do que a maioria pensa quem trabalhava nos túmulos reais, não eram escravos, mas sim empregados escolhidos do povo..Tinham médicos, viviam em cidades construídas de propósito perto dos tumúlos, pois estas construções arrastavam-se durante anos a fio.

Estes operários arrastavam os enormes blocos de pedra, que chegavam a pesar 3 toneladas cada um. Também incluíam fiscais, operários que trabalhavam com metais, pedreiros, carpinteiro, além dos pintores e escultores, que decoravam os templos.


JULGAMENTO FINAL


Tal como a maldade de Seth não ficou impune, uma vez que os deuses instigados por Hórus, filho de Osíris o levaram a julgamento e condenaram-no.Baseando-se neste feito, os egipcíos incluindo o faraó, deviam-se submeter-se a este julgamento,para poder gozar junto de Osíris de uma eternidade nos campos de Iaru.

Toda pessoa ao morrer era recebida pelo deus Anúbis. Ele tinha a missão de pesar o coração dos mortos em uma balança, uma espécie de avaliação de como a pessoa havia se comportado em vida,e acompanhar o defunto ao tribunal presidido por 42 juízes.

A cerimónia de realizava-se na Sala Das Duas verdades.Numa das extremidades encontrava-se Osíris, sentado num trono e acompanhado por outros deuses e os 42 juízes.No centro da sala colocava-se a balança onde se pesava o coração.

Diante das divindades e juízes ,o defunto dirigia-se ao seu coração pedindo-lhe que não o contradissesse.frequentemente esta fórmula aparecia escrita no "escaravelho do coração", um amuleto que se colocava entre as ligaduras da múmia, perto do coração.

Depois de recitar esta fórmula, o defunto colocava-se diante de cada um dos juízes e recitava outra fórmula na qual se declarava inocente de todos os pecados.Curiosamente esta declaração tinha muito a ver com actos cometidos contra os homens e não contra os deuses.

Se o defunto tivesse pecado, o prato da balança pesava mais e Amit um monstro com cabeça de crocodilo e patas de leão e hipópotamo, devorava-o.Se não era devorado, deuses como Shesmu, arrancavam-lhe a cabeça, e infligiam-lhe uma série interminável de castigos.

O deus Tot anotava o resultado da medição, Hórus vigiava a balança para que ninguém lhe tocasse.

Havia a possibilidade ainda que remota, do coração desmentir o seu dono e falar mal dele.
Contra tal perigo foi composta a invocação que se lê no Capítulo XXX do Livro dos Mortos:



"Ó meu coração, minha mãe; ó meu coração, minha mãe! Ó meu coração de minha existência sobre a terra. Nada se erga em oposição a mim no julgamento perante os senhores do tribunal; não se diga de mim nem do que eu tenho feito, "Ele praticou atos contra o justo e o verdadeiro"; nada se volte contra mim na presença do grande deus, senhor de Amentet. Homenagem a ti, ó meu coração! Homenagem a ti, ó meu coração! Homenagem a vós, ó meus rins! Homenagem a vós, ó deuses que assistis nas divinas nuvens, e sois exaltados (ou sagrados) graças aos vossos cetros! Falai [por mim] coisas justas a Rá, e fazei que eu prospere diante de Neebca. E contemplai-me, ainda que eu esteja preso à terra nas suas partes mais íntimas, consenti que eu permaneça sobre ela e não me deixeis morrer em Amentet, mas me torne uma Alma Imortal dentro dela."




O LIVRO DOS MORTOS







Os antigos egipcios acreditavam que era necessário conservar o corpo para a vida no Além.A mumificação permitia a salvação fisica e o Livro dos Mortos ajudava a que a parte espiritual, a alma ou "bai" pudesse abandonar temporalmente o túmulo.

No império Antigo, os faraós eram os únicos que podiam ascender á vida no Além, ao lado do deus Rá. Com o passar do tempo os nobres e os ricos viram o seu poder aumentar e obtiveram o privilégio de partilhar com os reis a vida no Além.

Esta "democratização" prosseguiu durante o Império Novo: nessa epóca qualquer egipcío que tivesse levado uma vida justa tinha hipótese de renascer no Além.Para conseguir isso dispunha do Livro Dos Mortos , que costumava ser escrito em papiros e depositado junto do defunto para o guiar no Além.

Era um conjunto de esconjuros e de fórmulas que foi copiado durante o Império Novo a partir dos Textos dos Sarcófagos do Império Médio que, por sua vez, derivavam dos Textos das Pirâmides do Império Antigo.

O defunto devia equipar-se com todo o tipo de objectos para oferecer preces e oferendas aos deuses durante a sua peregrinação pelo mundo subterrâneo.As divindades, correspondentemente, concediam-lhe o poder sobre os elementos (vento, água, fogo para que pudesse lutar com os inimigos que o rodeavam no Além.
Nas primeiras imagens do Livro Dos Mortos vê-se o sarcófago do defunto, que é arrastado até ao túmulo num barco montado num trenó puxado por escravos.

Antes de a múmia ser depositada no túmulo, um sacerdote funerário celebrava a cerimónia da abertura dos olhos e da boca, a fim de devolver todos os sentidos ao defunto.







O escaravelho alado era uma das formas do deus Sol Rá.O escaravelho que tinha o nome de Khepri, personificava o sol da manhã e empurrava o disco solar para o fazer sair do mundo subterrâneo, onde havia passado a noite .No contexto funerário o deus Khepri tinha a ver com o defunto, pois ele também queria renascer e voltar á luz.









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Re: Anúbis

Mensagem  Elektra em Seg Nov 15, 2010 7:43 pm

OS INIMIGOS DO DEFUNTO



Na viagem pelo mundo subterrâneo também espreitavam muitos dos animais que eram daninhos em vida.
Havia esconjuros e fórmulas para acabar com crocodilos e serpentes.
Um inimigo especial era a serpente Apófis(em egípcio Apep ou Aapep), que ameaçava afundar o barco de Rá.Embora Hórus e Set se unissem para a vencer, Apófis nunca morria e voltava sempre a a aparecer.



Relevo do túmulo de Seti I (1306 a 1290ac)




APÓFIS



Deus do mal,era associado a vários eventos naturais assustadores como a escuridão inexplicáel de um eclipse solar, tempestades e terremotos. Conhecido como o Destruidor, tentava persistentemente atingir seu objetivo. O ataque desse monstro ao deus-Sol acontecia, segundo os relatos egípcios, a cada manhã, quando a barca solar estava prestes a emergir para a luz e, então, os aterradores rugidos da fera ecoavam na escuridão. Os artifícios que a serpente usava para impedir a passagem do barco eram as próprias ondulações do seu corpo, que são descritas como bancos de areia, ou ainda beber as águas do rio do mundo subterrâneo para fazer com que o barco de Rá encalhasse. A hipnose também é uma de suas armas, pois em algumas versões do mito Apófis hipnotiza Rá e que viaja com ele.

Embora Seth também seja um deus do mal ele actua como divindade protectora e, em alguns textos, se diz que foi o proprio Rá que o convocou para derrotar a serpente. O papel original de Seth era batalhar contra Apófis e impedi-lo de destruir a embarcação. Resistindo inclusive ao olhar fixo mortal da serpente e não se deixando hipnotizar, Seth finalmente derrota o gigantesco animal quando, da proa do barco solar, o trespassa com uma grande lança. Ocasionalmente a entidade malévola teria sucesso e o mundo seria mergulhado em trevas, idéia que pode querer reflectir a ocorrência de um eclipse solar. Mas mesmo nesses casos o deus Seth e seu companheiro Mehen, outra deidade em forma de serpente, sairiam vencedores, pois fariam um buraco na barriga de Apófis para permitir que o barco solar escapasse.


APÓFIS não era uma divindade para ser adorada, muito pelo contrário, ele foi incluído em vários cultos como um deus ou demônio contra o qual as pessoas deveriam estar protegidas. Assim sendo, foram produzidos vários textos mágicos e rituais para combater os efeitos dele no mundo. Existe um conjunto de textos conhecidos hoje em dia como o Livro de Apófis que é uma colecção desses feitiços mágicos que datam do Império Novo (c. 1550 a 1070 a.C.), embora o exemplar melhor preservado, conhecido como o Papiro de Bremner-Rhind, atualmente de posse do Museu Britânico de Londres, tenha sido produzido no IV século a.C. São fórmulas destinadas a derrotar o monstro, fornecendo proteção contra os seus poderes maléficos e também contra as cobras, vistas como manifestações perigosas da deidade, ainda que secundárias.

O egipcíos acreditavam que Apófis comandava um exército de demônios que infestavam o gênero humano e que só tendo fé nos deuses de luz as pessoas poderiam derrotar tal contingente. Ele era uma serpente gigantesta que já existia no começo dos tempos nas águas do caos primevo, antes da criação. Seu poder era tão grande que continuaria existindo num perene circulo vicioso de ataque, derrota e novo ataque. Por conta desse entendimento, anualmente os sacerdotes de Rá executavam um ritual denominado o Banimento de Apófis. Diante de uma efígie do demônio colocada no centro do templo eles rezavam para que toda a maldade no Egito entrasse na imagem. Então eles pisoteavam a efígie, quebravam-na, batiam-lhe com paus, despejavam lama sobre ela e, eventualmente, queimavam-na e a destruiam. Deste modo, acreditavam, o poder de Apófis seria afastado por mais um ano.




Última edição por Elektra em Sab Nov 19, 2011 5:42 pm, editado 2 vez(es)
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Re: Anúbis

Mensagem  Inominável Ser em Seg Set 05, 2011 12:30 am


Anubis 1 by Kiartia



Um dos meus Deuses Egípcios preferidos, com fortes ligações diretas com os Mistérios Da Morte E Do Renascimento, se interpretarmos bem as sus significações acerca de suas funções. Há, também, uma certa relação entre sexo e morte que sempre me fascinou; o clímax do prazer sexual é quase como um tipo de morte, na qual adentramos para retornar como outro Ser, mais forte, mais saudável, mais soberano.

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Re: Anúbis

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